Viagem ao centro do universo

Ao atingir a tropopausa fomos pegos contemplando a superfície terrestre que a essa altura baseava-se em milhões de pequenas luzes. Podíamos imaginar todas as histórias de amor que cada luz lá embaixo poderia contar. Todas as formas diferentes de amor. Aquilo fora, sem sombra de dúvida, a sensação mais incrível que já senti.

Após isso, tudo o que vimos ou sentimos foi medo. Medo de não haver mais pequenas luzes para contemplar. Medo de que tudo o que buscávamos estivesse o tempo todo debaixo dos nossos narizes. Medo de esquecer do que se tratavam as luzes que iluminavam a superfície da Terra. Medo de nunca mais sentir a coragem que o amor nos proporcionava. Coragem necessária para vencer qualquer medo.

Foram anos em busca do centro do universo. As dúvidas que atormentavam a humanidade já não nos afetavam mais. Procurávamos por respostas que talvez jamais teríamos, e com o tempo a tripulação desistiu. Percebemos que o centro do universo era onde estávamos, enquanto estivéssemos. Percebemos que cada uma daquelas pequenas luzes era um centro diferente para o mesmo universo, e que tentar mudar isso apenas nos afastaria da melhor coisa em se viver preso dentro daquele pequeno planeta azul: o amor.

O centro do universo é onde encontramos algo importante para nós. É onde nos sentimos seguros, mesmo em tempos difíceis. É onde uma luz acesa, por menor que seja, remete esperança. É onde uma xícara de café acompanhada de biscoitos significa paz, mesmo em tempos de guerra.
 
O centro do universo, ao menos para mim, tem um único nome: lar.

Textos

Henrique Satt Visualizar tudo →

21 anos de idade, apaixonado por literatura, fotografia e pela natureza.

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