Aqueles que amamos

Na busca por felicidade encontramos respostas para perguntas que ainda não tínhamos feito. Encontramos também motivação para objetivos que sequer passaram por nossas mentes desesperadas, mas ignoramos tudo isso por um velho objetivo do qual não conseguíamos esquecer: a felicidade.

Forçamos paixões e sonhos que não nos pertenciam. Forjamos acordos de amizades que não nos agradavam, e agradamos pessoas que não nos importavam. Fizemos tudo errado, tentando acertar.

Quando ligamos o piloto automático, sentimos o alivio nos nossos ombros servir de impulso para nos tirar do chão. Como folhas sopradas pela brisa do outono levantamos voo e fomos arrastados pelo ar até a beira do mundo, onde um imenso precipício nos esperava. A “depressão” era como chamavam aquele lugar.

Desesperados tentamos tomar o controle e dar meia volta, mas era tarde demais.

Não havia nada parecido com felicidade naquele lugar. Só um imenso e profundo buraco na terra. Nos sentimos traídos. Pela vida, pelas pessoas que nos encorajaram e pelo vento que nos trouxe longe demais.

Sentimos muito;

Barganhamos;

Rogamos por mais um dia ao sol e caímos.

Com o passar do tempo nos acostumamos com a escuridão. Era fácil, senão solitária. Vivemos um dia de cada vez, até decidirmos não viver mais. Sobrevivemos a queda, mas jamais viveríamos ali sozinhos.

Então, nos últimos instantes de nossas existências, almas emergiram da escuridão. Almas dos mortos. Daqueles que pereceram na terra. Esquecidos por nós. Eram as almas das pessoas que amamos, mesmo que por pouco tempo ou da forma errada. Elas flutuavam na escuridão com um brilho único. Dançavam ao nosso redor.

Nos agarramos a essas almas e então elas nos levaram a superfície, flutuando.

Seguros e com os pés firmes no chão, longe do abismo onde passamos tanto tempo, assistimos essas almas subirem cada vez mais alto. Elas nos olhavam e sorriam, como se dissessem adeus pela última vez, até se misturarem com as estrelas.

Foi aí que descobrimos que talvez nunca encontrássemos a felicidade, que talvez, a coisa mais próxima disso seria o amor. Daqueles que perdemos e, dos poucos que nos restaram e daqueles que ainda não conhecemos.

Entendemos que aqueles que amamos são a única fonte de uma possível felicidade nesse mundo. O brilho único que nos traz esperança em meio a escuridão. E está tudo bem assim.

Textos

Henrique Satt Visualizar tudo →

21 anos de idade, apaixonado por literatura, fotografia e pela natureza.

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