Aos olhos dele

Entre beijos, tiro minha calça. Ele para por um segundo para observar minhas pernas. Ele diz gostar delas. “São fortes e grossas” ele diz. Embora eu as veja como pernas normais. Mais fortes e grossas que as dele, talvez. Mas, ainda assim, normais.

Arranco o resto da minha roupa por impulso. Ele distribui beijos por todo meu corpo. Não como aqueles que só minha boca conhece. Nesses ele permanece de olhos abertos, observando de perto as marcas de pelos encravados e machucados consequentes da minha insistência em me depilar. Ele chega a minha cintura e por algum tempo permanece ali. Apoia seu rosto sobre minha barriga e diz amar meu corpo. Logo em seguida, volta a beijá-lo. Fazendo seu caminho até meu rosto. Cada excesso, curva ou ferida é apreciado. Nenhum defeito passa despercebido. Tudo o que vejo de ruim em meu corpo é contemplado com beijos e carinho.

Seus dedos brincam com as partes sensíveis do meu corpo. Ele tenta evitar me deixar animado demais, então faz brincadeiras que há muito deixei claro não gostar. Ele ri, e continua a beijar meu rosto. Acaricia meu peito e o elogia. “Gostoso!” ele diz “Você é tão lindo assim”.

Eu nunca expus minhas inseguranças para ele. Nunca disse que todas aquelas marcas me faziam sentir menos bonito, e tampouco que o ganho de peso repentino, consequência dos antidepressivos, me deixou tão abalado que uma simples foto passou a ser motivo de dias vestindo roupas desconfortáveis apenas para esconder os quilos a mais.

Mas ele luta contra isso tudo. Incansavelmente. Me fazendo pensar que os olhos dele são o único espelho para o qual desejo olhar todos os dias de manhã.

Textos

Henrique Satt Visualizar tudo →

21 anos de idade, apaixonado por literatura, fotografia e pela natureza.

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